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História

 

HISTÓRIA DE CAMPO LIMPO PAULISTA


A Emancipação - O longo caminho “Meus senhores, minhas senhoras. Vamos iniciar a sessão de instalação do Município de Campo Limpo”. Com estas palavras, pronunciadas no dia 21 de março de 1965 pelo Dr. Duílio Nogueira de Sá, juiz de Direito e Eleitoral da Comarca, na sede do Nacional A. C., se encerrava o longo caminho, iniciado há 350 anos. O antigo distrito de Jundiaí tornava-se oficialmente o Município paulista de Campo Limpo, e seus moradores “campo-limpenses”.

No início chegaram a ser chamados de campistas, mas não pegou. Do longínquo 1615, ano em que a tradição popular indica como a data em que Rafael de Oliveira e Petronilha Antunes, procurados pela justiça, refugiaram-se na área onde está situada a cidade de Jundiaí, como afirma o historiador Pedro E.Valim, em seu “Álbum dos Municípios de São Paulo”: “...embrenharam-se pelo sertão, e assentaram vivenda onde hoje está a povoação”, passaram-se exatamente 350 anos, o tempo necessário afim de que Campo Limpo, de bairro pertencente a Jundiaí, onde no século XIX, havia o entroncamento de duas estradas de ferro, a SPR e a E. F. Bragantina, que escoavam para o porto de Santos a produção cafeeira da região, se transformasse na dinâmica cidade que hoje conhecemos. Querendo dar um quadro cronológico das diferentes etapas dessa caminhada para a sua emancipação, poderíamos datar o seu início por volta de 1850, quando o Governo Imperial, e a administração provincial, no intuito de modernizar o País com a instalação de uma rede de estradas de ferro, resolveu dar uma garantia de juros, com pagamento em ouro, aos empreendedores desse, pela época, moderno, meio de locomoção.

Foi com esta medida, que garantia o apoio governamental, que Irineu Evangelista de Souza, mais tarde nomeado Barão de Mauá, se propôs a construir a primeira ferrovia da Província de São Paulo. Assim, em 1867, a SPR (S.Paulo Railway), depois de ter assentado seus trilhos partindo de Santos para São Paulo, após ter vencido o desafio do desnível da Serra do Mar, alcançava a cidade de Jundiaí. Para Campo Limpo, este fato representou apenas o começo. 

A segunda etapa, que seria a definitiva para o crescimento da cidade, se deu 17 anos depois, em 1884, quando foi inaugurada a E. F. Bragantina, que partindo da cidade de Bragança, tinha seu terminal na “Parada Campo Limpo”. Em Bragança o acontecimento foi festejado durante três dias, durante os quais foram devidamente lembrados e homenageados os dois engenheiros que dirigiram os trabalhos: Martiniano Brandão e Matheus Hausler. Para Campo Limpo, se o caminho percorrido até aquele momento tinha sido lento e vagaroso, agora o passo procedia com rapidez.

Os poucos moradores daquele tempo perceberam que o bairro distante e abandonado de Jundiaí começava a pisar em terreno firme e sólido. Podia-se deslumbrar um futuro. Com as sucessivas crises que a produção cafeeira teve que atravessar, principalmente na primeira metade do século XX, Campo Limpo, para sair do atoleiro da estagnação de uma agricultura decadente, baseada na monocultura, procurou encontrar novos espaços no cenário industrial e tecnológico do País, que a partir dos anos 50 teve um grande impulso, estimulado pela política do governo da época. A instalação de grupos industriais, sólidos e tradicionais, com a conseqüente criação de novas oportunidades de trabalho, geradoras de renda com o aparecimento de atividades comerciais paralelas, produziu uma corrente de desenvolvimento que não podia mais ser detida.

Campo Limpo Paulista foi alçada à categoria de distrito do município de Jundiaí em 20 de dezembro de 1953, pela lei municipal no 2.456. Tornou-se município independente em 28 de fevereiro de 1964, pela lei estadual no. 8.092. Mas o então distrito conquistou sua independência após o movimento de emancipação, liderado pelo primeiro prefeito Adherbal da Costa Moreira. O plebiscito que aprovou a emancipação ocorreu em 1o de dezembro de 1963, e o primeiro prefeito tomou posse em 21 de março de 1965, data oficial da fundação do município.

A emancipação teve origem no descontentamento dos moradores com a administração central de Jundiaí, que não atendia convenientemente o distrito. O movimento ganhou força com a vinda da indústria metalúrgica Krupp, inaugurada em 1961 com as presenças do governador Carvalho Pinto e do presidente Jânio Quadros. A indústria foi o componente econômico que faltava para o processo inevitável da emancipação político-administrativa.

Campo Limpo se formou às margens das ferrovias S.P.R., a Companhia Inglesa depois Santos a Jundiaí, e a E. F. Bragantina, sediando o entroncamento das mesmas. Inicialmente abrigou ferroviários e pequenos agricultores. A agricultura era voltada para hortifrutigranjeiros e extrativismo vegetal. Havia também várias granjas, olarias, duas vinícolas e a fábrica de adubos Manah.

A origem do nome Campo Limpo é geográfica, pois os primeiros moradores vislumbraram um imenso campo limpo no local.


Através da Lei Estadual nº 9842, de 19/09/67, foi alterada a denominação da cidade para Campo Limpo Paulista, de maneira a não confundir com o bairro do mesmo nome, na capital. A comissão executiva do movimento de emancipação teve como presidente Adherbal da Costa Moreira e como presidente de honra o General Aldévio Barbosa de Lemos. A primeira legislatura teve como prefeito Adherbal da Costa Moreira e vice Joaquim Tavares da Silva. Fonte: CAMPO LIMPO PAULISTA: das origens ao terceiro milênio, Paulo Luiz Martinelli e Edoardo Coen

 

CRONOLOGIA

 

01.12.1963 Plebiscito da Emancipação Político-Administrativa de Campo Limpo

1964 O governo militar não autoriza a convocação de eleições para novos municípios

28.02.1964 Lei Estadual nº 8.092, desmembra Campo Limpo de Jundiaí

1964 Lei Estadual nº 8.492, cria o Ginásio Estadual de Campo Limpo

04.07.1964 Circula o primeiro jornal de Campo Limpo, “O Noticiário”

07.03.1965 1ª Eleição Municipal

21.03.1965 Emancipação político-administrativa de Campo Limpo

27.03.1965 Posse do prefeito Adherbal da Costa Moreira, vice Joaquim Tavares da Silva

01.04.1965 1º registro de funcionário na prefeitura: Luiz Camilo da Silva – conserveiro residente em Botujuru

11.1965 Lei Municipal nº 30, cria o Serviço Telefônico Municipal

11.1965 Lei Municipal nº 31, cria a Guarda Municipal

30.04.1966 Câmara muda do Nacional A.C. para prédio alugado na Rua do Rosário, 145, do sr. Manoel Lopes Lopes

28.12.1966 Circula o primeiro número do “O Jornal de Campo Limpo”

05.05.1966 Resolução nº 20/60, do Conselho Estadual de Educação aprova Instalação do primeiro Ginásio Estadual (atual 15 de Outubro)

29.09.1966 Mudança da sede da prefeitura do Nacional A. C. para prédio próprio na Av. dos Emancipadores

06.12.1966 Lei nº 79/66, cria a 1ª Banda Musical Municipal

01.02.1967 Início das atividades do 1º Delegado de Polícia do Município: Dr. Licínio Hilmar de Oliveira Arantes

20.05.1967 Inauguração da escola do Campo Verde (atual Lázaro Gago)

21.06.1967 Última viagem da Bragantina

23.06.1967 Início da linha de ônibus Campo Limpo – Atibaia

17.07.1967 1º veículo lacrado na Delegacia de Campo Limpo – Ford Galaxie – chapa 3504519, pertencente à Krupp

24.08.1967 Inauguração da ponte da Rua do Comércio (Av. Adherbal da Costa Moreira), denominada Ponte 29 de Março

24.08.1967 Inauguração da Caixa Econômica Estadual, gerente Nivaldo Rufino

19.09.1967 Lei Estadual no. 9.842/67, altera o nome do município para Campo Limpo Paulista

02.10.1967 Inauguração da Agência Coletora da Secretaria da Fazenda Estadual

21.10.1967 Flamengo da Vila Cardoso sagra-se campeão invicto do 1º Campeonato Amador de Futebol do Município, ao empatar com o Palmeirinha da Vila Tavares por 2 x 2

06.11.1967 Lei Municipal nº 114, institui o primeiro Plano Diretor do Município

19.11.1967 Início do 1º Torneio Popular de Xadrez de Campo Limpo Paulista no E. C. Internacional

06.03.1968 Decreto Estadual nº 49.359, denomina 15 de Outubro o Ginásio Estadual de Campo Limpo Paulista

07.06.1968 Assassinato do prefeito Adherbal da Costa Moreira, assume o vice Joaquim Tavares da Silva

21.03.1969 Posse do prefeito Jorge de Maio Vellasco, vice Alcebíades Grandizoli (Pardal)

19.05.1969 Lei Municipal nº 188, dispõe sobre a criação do DAAE – Departamento Autônomo de Água e Esgotos

19.09.1969 Lei Municipal nº 205, autoriza a instalação da Delegacia de Serviço Militar no Município

11.12.1969 Assinatura de convênio com a EBCT para instalação do Posto do Correio

17.07.1970 1º sepultamento na Necrópole Bosque da Saudade – sra. Josefa do Nascimento Cunha

29.03.1971 Lei Municipal nº 264, oficializa o Brasão, a Bandeira e o Hino do Município

1972 Visita do governador Laudo Natel ao Município – Ano do Sesquicentenário da Independência

 

Fonte: CAMPO LIMPO PAULISTA: das origens ao terceiro milênio, Paulo Luiz Martinelli e Edoardo Coen

 

HOMENAGEM AOS EMANCIPADORES

 

Texto da Ata da 1ª Reunião para a Emancipação da Cidade

 

“Aos 16 dias do mês de março de 1963, reuniram-se pessoas interessadas na emancipação política de Campo Limpo, em outras palavras, interessados em tornar o distrito em sede de Município, fazendo-o independente de Jundiaí. Abertos os trabalhos da reunião pelo sr. Antônio K. Kariya, este passou imediatamente a palavra ao sr. Lauro Oswaldo de Almeida Nicodemos, que ressaltou o motivo primordial da reunião, qual seja: Convocar-se o povo em geral para juntos tratarem da criação do Município de Campo Limpo.

Houve trocas de idéias, sendo acolhidas várias sugestões dos presentes. Em seguida leu o sr. Lauro, a lei que contém os requisitos indispensáveis para o sucesso desse trabalho: estando Campo Limpo perfeitamente enquadrado com as mesmas, ou seja: população suficiente, renda e número de eleitores e inclusive população bastante, como foi frisado. O orador colocou sua palestra em termos práticos. Fez ver aos presentes as vantagens oriundas da elevação de Campo Limpo a Município, o que fará com que tenhamos condições de vida própria, indispensáveis ao progresso do distrito, que uma vez independente, tornar-se-á sempre mais forte. Fez questão de frisar que essa luta caracteriza-se pela NEUTRALIDADE DE BANDEIRAS PARTIDÁRIAS, visando unicamente o bem-estar do povo.

Os trabalhos decorreram dentro de um clima saudável, tendo cada pessoa espontaneamente demonstrado, sem reservas, a satisfação em poder de qualquer forma cooperar para a concretização das idéias expostas. Dadas por findas as diversas considerações, passou-se imediatamente à eleição para a formação de diversas comissões que trabalharão visando somar forças para aquela empreitada.

As comissões ficaram assim compostas:

 

COMISSÃO EXECUTIVA:

 

Presidente de Honra - general Aldévio Barbosa de Lemos

Presidente - sr. Adherbal da Costa Moreira

Vice-presidente - sr. Lauro Oswaldo de Almeida Nicodemos

1º Secretário - sr. Waldomiro Gonçalves

2º Secretário - sr. Jorge de Maio Vellasco

1º Tesoureiro - sr. Antônio K. Kariya

2º Tesoureiro - sr. João Tavares da Silva

 

MEMBRO: Sr. Paulo Peixoto

 

ASSESSOR JURÍDICO: dr. Francisco Augusto Pinto Junior

 

RELAÇÕES PÚBLICAS: Padre Daniel Jansen

 

COMISSÃO DE PROPAGANDA: Antônio K. Kariya, Waldomiro Gonçalves, Duílio Ballioni, Paulo Peixoto, Roque José Agostinho, Anivaldo Monteiro da Silva, dr. Seji Oura, José Antônio de Lima, Mário Marchetti, Venâncio Gonzaga Ramos, Walter Rossi, Octávio Agostinho e Benedito Luiz Prado.

 

DELEGADOS DE BAIRROS:

 

CENTRO:

 

Antônio Larrubia, Octávio Luiz Filho, Anivaldo Monteiro da Silva, Joaquim Tavares da Silva, Romualdo de Assis, Waldomiro Gonçalves, Geraldo Bento da Silva, Manoel Teixeira, Dante Martinelli, Roque José Agostinho, Venâncio Gonzaga Ramos, Emílio Gatera, José Dini, Nelson André, Geraldo Silva, Odovílio Rossi, Waldemar Rossi, Felício Consentino, Pepino Melle, Professor Waldomiro Thibes Cordeiro, Armando Lenhaioli, Bruno Censi, Benedito Maria Lima, Josef Lenke, João Ferreira dos Santos, Francisco Oliveira, Mário Vellasco, Yuchio Ichida, Rubens Vellasco, Horácio A. Censi, Francisco Censi, Ítalo A. Censi, Ernesto Ogawa, Jocelir Chiovato, João Sacrini, Manoel de Souza Cunha. VILA TAVARES: Alceu Albarello, Fioravante Moreira de Souza, José Tavares da Silva, Joaquim Tavares da Silva, Benedito Geraldo Ferreira, José Otoni.

 

BAIRRO MOINHO:

 

dr. Augusto Pinto Junior, Manoel Lopes.

 

VILA IMAPE:

 

Antônio de Pádua Suzano, Sexto Patelli, Nativo Pimentel, Alcebíades Grandizoli, Maurício Ergusman e Oswaldo Grandizoli.

 

BAIRRO IVOTURUCAIA:

 

José Nicolini, Lauro Oswaldo de Almeida Nicodemos, Paulo Peixoto, Octávio Luiz Filho.

 

BAIRRO DE CAMPO VERDE:

 

dr. Izidoro Devechi, Hugo Sardella, Aksel Ernits e Germano Gustavo Grossklauss.

 

BAIRRO BOTUJURU:

 

Faustino Bizetto, Leopoldino de Campos, Salvito Magalhães Eugênio, José de Souza Charrua, José Bisetto, José de Lima, dr. Guilherme Flatz.

 

FAZENDA NOSSA SENHORA DAS IRMÃS MISSIONÁRIAS DE MARIA:

 

José Carbonari, Antônio Barranco. BAIRRO DA FIGUEIRA BRANCA: sr. Aroldo e sr. Meneses.

 

VILA SÃO PAULO:

 

Domingos Rodella Garcia, Hélio Romualdo de Toledo, Fioravante Moreira de Souza, Joel Moreira de Souza, Manoel de Souza Cunha.

 

VILA CARDOSO:

 

Manoel Caetano de Almeida, Jorge de Maio Vellasco, Anivaldo Monteiro da Silva, Oswaldo Frizzo, Dionísio Braghetto, Henrique Bonilha, Armando Bizetto, Pedro Cícero dos Santos, Gabriel Melle, Gonçalo Silvério da Rosa, Alfredo Rossi, João Francisco Guerra, Francisco Biasi, João Ignácio Vellasco, Milton Pessoa Pinto, Doneze Jacintho Arruda.

 

COMISSÕES essas que foram votadas e eleitas por unanimidade, ficando na obrigação de dispenderem dos melhores esforços durante 45 dias, para a elucidação da conquista almejada. Todos os elementos escolhidos para tomarem parte nas comissões, caso venham a desconhecer o plano de emancipação, deverão entrosarem-se diretamente à comissão executiva. Ainda temos para nos amparar A GRANDE COMISSÃO, comissão esta, integrada pelo POVO de Campo Limpo. É mister lembrar, que a independência Política só será conseguida através de nossa luta unida, desprezando coligações partidárias.

 

Estiveram presentes na mencionada reunião as seguintes pessoas:

 

srs. Adherbal da Costa Moreira, Lauro Oswaldo de Almeida Nicodemos, Waldomiro Gonçalves, Jorge de Maio Vellasco, Antônio K. Kariya, João Tavares da Silva, Paulo Peixoto, dr. Seji Oura, Geraldo Bento da Silva, Roque José Agostinho, José Ghisland Neto, Sexto Patelli, Romualdo de Assis, Anivaldo Monteiro da Silva, Octávio Luiz Filho, Sebastião Batista, Angelino Martinelli, Dante Martinelli, Gomildo Batista, Manoel Lopes, Sérgio Felix, Duílio Balioni, Benedito Martins de Azevedo, Antônio Larrubia, Sebastião de Oliveira, Cosmo Francesconi, Izael A. Moraes, Benedito Pinto “.

PRIMEIRAS INDÚSTRIAS

 

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, que se deu em 1945, começou no Brasil a se esboçar aquela tendência que mirava a uma política de industrialização, que iria subverter desde as bases a mentalidade que, até aquele momento, tinha se alicerçado prevalentemente na agricultura e na exportação de matérias-primas e produtos naturais. Essa tendência começou a dar seus primeiros passos no transcorrer do período bélico, quando o Brasil, pelas dificuldades apresentadas nas importações, teve que substituir muitos artigos, antes importados pela produção nacional.

 

Campo Limpo, então apenas um bairro de Jundiaí, por sua posição geográfica, que integrava duas estradas de ferro (Santos-Jundiaí e Bragantina) e por sua proximidade de uma moderna rodovia (Anhanguera), mesmo não podendo oferecer uma estrutura de serviços satisfatória, começou a despertar o interesse de grupos industriais, por ter grandes áreas à disposição para a instalação de complexos fabris.

 

 

Fábrica de Fogos Dois Anões

 

Foi justamente no período de 1946 que a Loja da China, um importante e tradicional estabelecimento comercial da Capital, resolveu instalar em Campo Limpo (Botujuru - Vila Ipê), a "Fábrica de Fogos Dois Anões".

Mesmo não constituindo um complexo industrial de grandes proporções, a Dois Anões representou a primeira indústria a se estabelecer na cidade, onde funcionou durante 17 anos, sendo por fim desativada em 1963.

 

Manah Fertilizantes

 

Em 1951 a Manah Fertilizantes, uma empresa de proporções bem maiores que a Dois Anões, resolveu se instalar em Campo Limpo com uma fábrica no terreno onde ficavam os antigos galpões para estocagem de café, que pertenciam ao Governo Estadual, ao qual era pago um aluguel para a sua utilização.

Em seguida, com a venda deste terreno para a Krupp, que em 1958 aí iniciava a construção do seu estabelecimento industrial, a Manah teve que mudar-se para uma área pertencente a Manoel Tavares da Silva, onde ainda hoje podem ser vistos os esqueletos das instalações que foram abandonadas em 1978, quando a empresa se transferiu para Cubatão.

Segundo Joaquim Tavares da Silva,que trabalhou na Manah durante 22 anos,a escolha de Campo Limpo pela Manah se deu pelo entroncamento ferroviário existente da Santos a Jundiaí e da Bragantina. O sr. Joaquim, ex vice-prefeito do Município, foi gerente e acionista da Manah.

E quanto à causa do fim da Manah na cidade, isso de deu - sempre segundo Joaquim Tavares - pela extinção do transporte de cargas pela Santos a Jundiaí. A matéria-prima utilizada era importada e vinha de Santos, e o seu transporte, não podendo ser feito por estrada de ferro era realizado por rodovia, processo esse que encarecia os custos, fazendo que Campo Limpo se tornasse financeiramente inviável para a empresa.

Atualmente a Manah é apenas uma marca, já que a empresa foi absorvida por uma multinacional: a Bunge Fertilizantes.

 

KRUPP - A Alavanca da Emancipação

 

As boas relações Brasil - Krupp datam de 1837, quando foi despachado pela empresa o seu primeiro pedido transoceânico: 2 cilindros entalhados para a cunhagem de moedas.

O estabelecimento e o cultivo das relações eram para Alfried Krupp (1812-1887) de importância fundamental para as parcerias comerciais. Desde 1859, ele se correspondia regularmente com o imperador D. Pedro II, que realizou várias visitas a Essen, sede da empresa. Um colaboracionista daquela época recordava: "O imperador do Brasil muitas vezes andava sozinho pelas oficinas, buscando informações aqui e ali com os operários. Ele subia a enorme chaminé e a torre d'água, visitava centros de treinamento e outras instituições".

Com o desenvolvimento da malha ferroviária a empresa forneceu ao Brasil, entre 1872 e 1896, milhares de toneladas de trilhos, desvios, rodas e acessórios vários, e em 1929, por exemplo, foram enviadas 53 locomotivas.

Por isso, a decisão de construir no Brasil, em 1958, a sua primeira fábrica no estrangeiro pela Krupp, nada mais é que o fruto dessas relações, e foi uma demonstração de fé no futuro desse País, com o qual mantém relações comerciais desde 1837.

A escolha de Campo Limpo deu-se pela sua posição geográfica, vindo de encontro ao crescente desenvolvimento da indústria automobilística brasileira, e à exigência do governo de nacionalizar peças e componentes num período relativamente curto. Resultado da guinada dada pelo presidente Juscelino Kubistcheck, que tendo compreendido que o ciclo baseado na agricultura e na exportação de matérias-primas tinha terminado, lançou o seu programa de governo (Plano de Metas), marcado por uma enorme expansão da construção civil e o fortalecimento da indústria.

A própria Krupp, numa visita que Juscelino fez à empresa, nos primeiros meses de seu governo, ofereceu soluções técnicas para a construção de usinas hidroelétricas, fábricas de cimento, modernização dos portos e ampliação da indústria pesada. A maior locomotiva diesel do mundo, fornecida nos anos 50 para a rede ferroviária brasileira, é um exemplo das estreitas relações entre a Krupp e o Brasil na época.

A construção das instalações foi iniciada em 1958 nos antigos galpões desativados do DNC (Departamento Nacional do Café, depois IBC), numa área de 900.000 m², e a produção de peças para automóveis se deu em 1959, na forjaria de matrizes e na oficina mecânica para usinar as peças forjadas no Estado de S.Paulo.

Em 17 de março de 1960, terminou-se a usinagem mecânica do primeiro virabrequim forjado em Campo Limpo para a Mercedes-Benz do Brasil.

No entanto, como sempre acontece, o início da produção antecipou os festejos da inauguração. Somente dois anos depois, em 1961, a fábrica foi oficialmente inaugurada pelo Presidente da República, Jânio da Silva Quadros, e pelo último proprietário da empresa, Alfried Krupp Von Bohlen und Halbach.

Apesar das oscilações do mercado, os índices de produção da usina puderam ser gradativamente aumentados, provando que a decisão de se estabelecer em Campo Limpo foi correta.

De 1961 a 1971, a forjaria da usina forneceu para os 2,6 milhões de automóveis produzidos no Brasil, cerca de 50 milhões de peças forjadas, obtendo a Krupp uma cota de 40% do mercado de peças de montagem.

Evidentemente uma empresa desse porte, e com tal tradição na bagagem, não se restringiu apenas à mera fabricação de peças. Os industriais da nova geração compreenderam que havia necessidade de uma interligação mais ampla entre a mão-de-obra, que movimentava o processo de fabricação, e o "staff" dirigente. Enfim, devia-se dar à empresa o cunho de uma grande família com interesses comuns, com uma hierarquia bem definida, onde cada elemento, que não devia representar apenas uma simples engrenagem de um processo produtivo, mas ser consciente de suas responsabilidades no conjunto, voltado para o bem comum da sociedade e do País.

Acompanhando a tradição de sua matriz na Alemanha, a Krupp brasileira dispensa grande atenção ao aspecto social do pessoal empregado, que atualmente compreende 2567 pessoas. Assistência médica e dentária gratuita para todos os operários e suas famílias, condução gratuita e refeições por preços reduzidos em moderna cantina, assim como serviços sociais prestados, de outra forma, contribuem para intensificar a solidariedade para com a empresa, e para conferir a todos um maior senso de segurança pessoal.

Disso pode-se deduzir que a instalação da Krupp em Campo Limpo representou uma real e benéfica transfusão de sangue. Foram criados novos postos de trabalhos, novas atividades, novos organismos sociais, e principalmente um maior intercâmbio com outros setores do País.

Mas o maior benefício que a Krupp trouxe para o então bairro de Jundiaí, foi o despertar de uma nova mentalidade, mais arejada, mais responsável, de uma consciência da importância adquirida no cenário nacional.

A união desses sentimentos representou a mola propulsora que conseguiu aglutinar todos os homens ligados ao progresso do distrito, em volta de uma finalidade comum, já que haviam percebido que chegara o momento propício para se movimentarem unidos. Para pleitearem que Campo Limpo assumisse a posição que a importância econômica lhe conferia. Esses homens foram os "Emancipadores", que desde sempre tinham acalentado a aspiração de transformar o distrito de Campo Limpo num município independente de Jundiaí.



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